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Curso ICP - A Nossa Lingua 2024-25 - 5

  Amigos para sempre É impossível ser “amigos para sempre”. A eternidade é muito tempo. Quando morrermos, será que os dois vamos ao mesmo lugar? Sempre é possível que eu vá ao inferno e o amigo ao paraíso. Assim, não poderemos seguir sendo amigos. E se não acreditamos que existam nem o inferno nem o paraíso, ao falecer, chegou o fim da história! É possível, sim, ser amigos por muito tempo, “amigos de toda a vida”. E prefiro muito esse epiteto. Eu tenho três “amigas de toda a vida”, ou quase, em Inglaterra. Os meus únicos amigos no meu país natal. Duas delas conheço desde o segundo ano da secundária e a outra desde o primeiro ano da facultade. As três moram em Inglaterra e duas delas vêm-se com bastante frequência mas eu não as tenho visto desde há muitos anos: seguimos sendo amigas por correspondência. Segundo os critérios de muitos escritores que temos lido nestas aulas, não podem ser “amigas de verdade” porque realmente elas não podem fazer nada para mim, nem eu para elas. Eu...

Curso ICP - A Nossa Lingua 2024-25 - 4

  O MENINO À JANELA Durante a guerra, fui destinada a uma aldeia para trabalhar na agricultura. Cada manhã, ia de bicicleta da casa onde estava hospedada à quinta e voltava à tarde. Quando chegou o outono, já anoitecia durante o trajeto mas não me incomodava porque havia pouco trânsito na estrada e a lâmpada da bicicleta iluminava-a o suficiente. Sempre passava uma casa meio abandonada onde não havia sinais de vida. Mas nas noites com lua, veia um menino à janela dessa casa. Tinha a cara muito pálida e a expressão dos olhos era tão triste que me impressionou. Depois de vê-lo varias vezes, comentei o do menino à proprietária da quinta e ela mirou-me com muita estranheza. “Ali já não mora ninguém”, disse. “Desde há uns dez anos. Desde a tragédia.” “Que passou?” perguntei. “E quem eram que viviam ali?” Eu sempre fui muito curiosa! “Pois, era uma família muito humilde, o pai, que era agricultor, a mãe e dois meninos gémeos de nove anos, o João e o Zé. Eram gémeos, sim, mas nã...

Curso ICP - A Nossa Lingua 2024-25 - 3

  O Fim duma Amizade Conheci as minhas amigas Francisca , Susana e Ana no primeiro dia na residência universitária, onde tínhamos os quartos no mesmo andar , e pronto formamos um grupo quase inseparável. Estudávamos na mesma facultade e quase sempre nos juntávamos para almoçar, jantar e sair de noite. E ficamos amigas os quatro anos da licenciatura. Sempre houve um pouco de tensão entre a Francisca e a An a porque tinham personalidades totalmente distintas. A Francisca era tímida, tinha medo do mundo e era pessimista, enquanto a Ana era muito aberta e otimista, e nunca conseguiu compreender a Francisca . Após graduar-nos, eu mantive um contato mais estreito com a Francisca que com as outras. Sempre nos escrevíamos nos anos em que ela esteve em Bruxelas, trabalhando na UE como tradutora, e quando voltou a Londres, o apartamento dela era onde passava uns dias durante as minhas estadias em Inglaterra. E assim foi durante uns 40 anos. Com o tempo, de cartas mudamos para c...

Curso ICP - A Nossa Lingua 2024-25 - 2

Final possível de “Bagagem” de Luísa Costa Gomes Múltiplas possibilidades surgem à mente para terminar este conto, mas aqui ofereço só uma… A velha amiga do narrador passa dois dias na casa dele, dias difíceis para ele porque ela é muito exigente e fala pouco depois do entusiasmo da chegada. A mala fica fechada no quarto de hóspedes e não se menciona mais. No terceiro dia, ela tem um infarto. (Já sabíamos pela voz que ela sofria do coração e que se tinha esforçado muito levando a mala por toda parte.) O nosso narrador acompanha-a ao hospital, mas morre no mesmo dia, sem abrir os olhos. Agora, ele tem que se ocupar de todas as formalidades dum falecimento sem saber realmente nada da vida dela. Corre para casa e sobe imediatamente ao quarto de hóspedes para ver se consegue encontrar alguma informação útil. Na bolsa dela encontra o bilhete de identidade e no fundo uma chavezinha que deve abrir a mala. Sucesso! Abre-a e debaixo das poucas roupas que ela tinha, toda s de cores berr...

Curso ICP - A Nossa Lingua 2024-25 - 1

 Aqui apresento as minhas contribuições à minha aula preferida do ICP. Os erros ficam da minha responsiblidade, porque não sou nativa... O tema do ano académico foi a Amizade, e o conto de Luísa Costa Gomes, "O Velho Senhor", foi a primeira obra que limos. "O Velho Senhor" de Luísa Costa Gomes Nest e cont o , as últimas frases a presentam-nos um enigma: como interpretar o comboio e a viagem que faz nele o Velho Senho r . Aqui vamos considerar três possíveis interpretações. Na primeira, o Velho Senhor lembra essa viagem em que os amigos o vigiavam sigilosamente e desde uma distância discreta. Pode-se imaginar que eles confessaram depois com o tinham planeado e executado o acontecimento junto com a filha Remédios. Embora, já sa iba mos que o Velho Senhor esquece muitas coisas, sinal de que padece de Alzheimer ou de demência, e é mais que provável que ele tem esquecido também essa viagem. Na segunda interpretação, ele lembra um compósito das viagens que fez na m...