Curso ICP - A Nossa Lingua 2024-25 - 3
O Fim duma Amizade
Conheci
as minhas amigas Francisca,
Susana e Ana no primeiro dia na residência
universitária, onde tínhamos os quartos no mesmo andar, e pronto formamos um grupo quase
inseparável. Estudávamos na mesma facultade e quase sempre nos juntávamos para
almoçar, jantar e sair de noite. E ficamos amigas os quatro anos da
licenciatura. Sempre houve um pouco de tensão entre a Francisca e a Ana porque tinham personalidades
totalmente distintas. A Francisca
era tímida, tinha medo do mundo e era pessimista, enquanto a Ana era muito aberta e otimista, e nunca
conseguiu compreender a Francisca.
Após
graduar-nos, eu mantive um contato mais estreito com a Francisca que com as outras. Sempre nos
escrevíamos nos anos em que ela esteve em Bruxelas, trabalhando na UE como
tradutora, e quando voltou a Londres, o apartamento dela era onde passava uns
dias durante as minhas estadias em Inglaterra.
E
assim foi durante uns 40 anos. Com o tempo, de cartas mudamos para correio eletrónico,
mas nada mais, porque ela me contou que temia tanto apanhar um vírus que não navegava
no Internet. E foi por isso que acabou a nossa amizade.
Um
dia, decidi enviar-lhe uma postal eletrónica no seu aniversário, tal como as costumava
enviar à família e a todos os amigos. Ela reagiu acusando-me de tentar
introduzir um vírus no seu computador; ela nunca seguiria uma hiperligação. Eu respondi com
raiva, perguntando como ela ousava acusar-me de tal coisa quando tínhamos sido
amigas durante tantos anos! E desde esse dia nunca mais correspondi com ela. Até
eliminei o seu endereço.
Tal
vez a minha reação fosse extrema, mas até o dia de hoje não me arrependo. Na
minha opinião, às amigas de verdade, mesmo às mais medrosas, não lhes ocorre
sequer a ideia de que uma boa amiga pode querer causar-lhes dano.
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