Curso ICP - A Nossa Lingua 2024-25 - 2
Final possível
de “Bagagem” de Luísa Costa Gomes
Múltiplas possibilidades surgem à mente para
terminar este conto, mas aqui ofereço só uma…
A velha amiga do narrador passa dois dias na
casa dele, dias difíceis para ele porque ela é muito exigente e fala pouco
depois do entusiasmo da chegada. A mala fica fechada no quarto de hóspedes e
não se menciona mais.
No terceiro dia, ela tem um infarto. (Já
sabíamos pela voz que ela sofria do coração e que se tinha esforçado muito
levando a mala por toda parte.) O nosso narrador acompanha-a ao hospital, mas
morre no mesmo dia, sem abrir os olhos. Agora, ele tem que se ocupar de todas
as formalidades dum falecimento sem saber realmente nada da vida dela.
Corre para casa e sobe imediatamente ao quarto
de hóspedes para ver se consegue encontrar alguma informação útil. Na bolsa
dela encontra o bilhete de identidade e no fundo uma chavezinha que deve abrir
a mala. Sucesso! Abre-a e debaixo das poucas roupas que ela tinha, todas de cores berrantes, descobre uma enorme bíblia antiga, mais apta
para uma igreja que para um individuo. Tem capa de couro preto, um pouco gasto,
e uma fechadura dourada. Então, foi essa bíblia que dava tanto peso à mala!
Quando abre a bíblia, está cheia de documentos,
antigos e modernos, lembranças da família dela. Entre eles, descobre o
testamento dela, com todas as suas vontades. Queria ser cremada (que alívio, assim
pode contactar a funerária!), queria que as cinzas fossem sepultadas debaixo
duma árvore (não tão fácil; a casa não tem quintal) e lega tudo o que ela deixa
neste mundo ao amigo de tantos anos atrás, quer dizer, ele…
É nesse momento que o nosso narrador se dá conta de que ela tinha vindo vê-lo porque sabia
que estava prestes a morrer e que, apesar do longo silêncio, nunca se esqueceu
do que eles tinham tido.
Violet Long 18-01-2025
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